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Brasiliana Museus
Brasiliana Museus
Agregador do patrimônio histórico cultural brasileiro
Museu Victor Meirelles
Brasiliana

Palavras Fluidas, de Érica Kaminishi

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Resumo descritivo
Em Palavras Fluidas introduzo dois elementos significativos que abordam a questão da memória e da identidade: mapas e palavras.
Insiro a colagem de mapas cartográficos de diversas regiões do Japão, principalmente, regiões idealizadas culturamente, como o Monte Fuji. O Monte Fuji foi reproduzido à exaustão nos clássicos japoneses de Ukiyo-e durante o período da Era Edo (1603-1868), tornando-se um ícone; elemento primordial na construção do imaginário coletivo dos japoneses e também dos descendentes de japoneses no Brasil.
Juntamente com os mapas, introduzo a poética escrita de Fernando Pessoa, com poemas que escondem-revelando a nostalgia de um lugar existente-ausente, e também a memória da palavra e da língua pátria.
“Cantava, em uma voz muito suave, uma canção de país longínquo. A música tornava familiares as palavras incógnitas. Parecia o fado para a alma, mas não tinha com ele semelhança alguma. A canção dizia, pelas palavras veladas e a melodia humana, coisas que estão na alma de todos e que ninguém conhece. Ele cantava numa espécie de sonolência, ignorando com o olhar os ouvintes, num pequeno êxtase de rua. (...)” Bernardo Soares (Livro do Desassossego por Bernardo Soares. Vol.II.1982)
A palavra escrita é usada para criar ideias contextuais e são transformadas em formas composicionais do desenho. Ao utilizar as palavras como elementos visuais, eu transponho de forma clara e compreensiva todas as minhas emoções e memórias; como um diário visual, traçando as lembranças de infância e as impressões das minhas experiências reais, registradas durante meu percurso entre diferentes lares e culturas.
Estes dois elementos: os mapas e a palavra - minha ou de outrem - trazem em meus desenhos um contexto singular; um mapa reconstruído à minha maneira registrando simbolicamente meu passado e meu presente. No entanto, este registro pessoal traz também reflexões universais sobre a nossa relação com o espaço que habitamos e sobre a nossa verdadeira identidade num momento tão intenso de deslocamentos fronteiriços e reconfigurações socioculturais.
"Palavras Fluidas são como mapas desconstruídos à procura de um lar ideal. Traçados na poética da palavra escrita como um diário visual, percorrem o fluxo da minha vivência e os contornos da minha imaginação.
Por eles, minhas palavras pictóricas navegam por territórios imaginários, calcados nas lembranças de infância sobre uma cultura (um Japão) ausente, mas presente no ambiente familiar – e por territórios reais, marcados pela minha experiência corpórea e visual.
Entre diferentes lares, minha palavra/meu desenho torna-se a minha única memória, gravada dentro de mim com um abrigo sem limites físicos e geográficos."
Érica Kaminishi

Metadados da instituição e coleção

Nome da Instituição
Museu Victor Meirelles
Link da Instituição
https://museuvictormeirelles.acervos.museus.gov.br/
Nome da Coleção de Origem
Exposições
Link do item
https://museuvictormeirelles.acervos.museus.gov.br/exposicoes/palavras-fluidas/
Como citar Museu Victor Meirelles. Palavras Fluidas, de Érica Kaminishi. In: Brasiliana Museus. Disponível em: https://brasiliana.museus.gov.br/brasiliana/palavras-fluidas-de-erica-kaminishi/. Acesso em: 29/10/2026.
Brasiliana Museus — Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) brasiliana.museus.gov.br/brasiliana/palavras-fluidas-de-erica-kaminishi/
Impresso em 29/10/2026