Cozinha brasileira

Os museus têm em seus acervos uma enorme quantidade de objetos de uso cotidiano que narra parte da história de como cozinhamos e comemos. São pratos, terrinas, talheres, panelas, fogões e muitos outros utensílios e ferramentas - manuais, mecânicos e até eletrificados - utilizados, ao longo do tempo, nas casas de todo o Brasil.
Aqui, apresentamos uma reunião desses objetos que trazem um recorte de hábitos e usos culinários das casas brasileiras.

A casa e a cozinha

A história das cozinhas é pouco conhecida, assim como dos seus equipamentos, utensílios e ferramentas. Ela se mescla com a história da própria casa e de seus espaços, que vão se especializando ao longo do século XIX. Até então, cada espaço das casas tinha múltiplas funções, sendo ao mesmo tempo local de cozinhar, dormir e trabalhar. É somente com a urbanização e a modernização da sociedade brasileira, que as casas passam a ter espaços especializados para a realização das atividades domésticas. Essa transformação é visível principalmente nas casas da burguesia urbana, já que nas cidades grande parte da população vivia em cortiços, compartilhando quartos, cozinhas e banheiros coletivos. A cozinha foi um dos espaços que mais sofreu transformações nesse período. Com a industrialização, fogueiras e fornos improvisados deram lugar a fogões, a lenha e, mais tarde, a gás. Nas cidades, a água passou a ser encanada e a cozinha deixou de ser um espaço externo, muitas vezes coberto com palha e sem paredes, para ganhar seu lugar entre os cômodos das novas residências urbanas.

1474 itens

Esta curadoria conta com itens dos seguintes museus

Os objetos do dia a dia

Com a chegada da família real em 1808, diversas manufaturas puderam se instalar no Brasil. O acesso aos produtos importados também aumentou, permitindo que utensílios de diversas naturezas passassem a povoar os lares. O consumo de “supérfluos” mudou a vida social da nova corte e do Império, recém instalados no Brasil. A nova burguesia, surgida do desenvolvimento econômico, permitia a ascensão social não somente pela hereditariedade, mas também pelo trabalho, por meio de atividades comerciais, industriais, financeiras, manufatureiras etc.

Ao longo do século XIX, os objetos coloniais, mais simples e rústicos, foram substituídos, principalmente nas casas mais abastadas, pelos refinados utensílios e móveis europeus. Na cozinha e, principalmente na mesa era possível encontrar com mais frequência, jogos de louças inglesas, francesas e alemãs, entre outros muitos objetos manufaturados e industrializados,

símbolos de modernidade e distinção entre as elites nacionais do período. Esses utensílios eram expostos ao olhar nos novos espaços domésticos, como a sala de jantar, separada da cozinha, nas quais ainda eram utilizados os rústicos potes de barro, as panelas de ferro e os alguidares de madeira.

As louças, durante os séculos XVIII e XIX, eram intensamente decoradas com cenas de caça, paisagens, plantas, frutos e flores em profusão. Utilizando a técnica do decalque, essas louças, inicialmente azuis e produzidas na Inglaterra, logo se disseminaram por toda a Europa, adquirindo outros tons como púrpura, sépia e rosa. Já mais para o final do século XIX o gosto pelas louças decoradas foi substituído pelas louças brancas, decoradas com filetes de ouro e prata, e estampadas com monogramas. Esse mesmo gosto repercutiu entre as classes abastadas no Brasil (LIMA, 1995).

Terrina do século XIX com detalhes em folha de ouro produzida no Brasil

Barro, pedra e palha

Os objetos de origem indígena foram, durante muito tempo, os únicos encontrados nas cozinhas coloniais. Essa influência é sentida até os dias atuais, por meio da utilização de cestos de palha, panelas de barro e colheres de pau. Nos acervos dos museus do Ibram é possível encontrar alguns desses objetos. Mesmo sem datação específica, esses utensílios atestam a importância das variadas culturas indígenas presentes no nosso território na conformação dos hábitos alimentares e culinários brasileiros.

Cesto Guarani

Cesto guarani, confeccionado com taquara, nas cores e bege.

Vasilha

Vasilha cerâmica em formato retangular, apresentando pequenas fraturas na parte basal, não apresentando decoração.

Moringa

Moringa de barro para armazenar água, produção artesanal, sem a presença da alça original.

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2 comentários

  1. Bom dia. Tenho alguns utensílios de cozinha um pouco antigos, das décadas de 1960, 1970. Quero doar.

    • Prezado Jair, o Ibram não pode receber doações, mas os museus podem. Sua questão provocou um debate interno sobre se poderíamos facilitar o diálogo entre doadores e museus no tema “doação” aqui na Brasiliana. Estamos avaliando a possibilidade, e informarei sobre os desobramentos. Grato pela iniciativa!

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