Trabalho e profissões

O trabalho é a forma como os seres humanos garantem os produtos necessários para viver. Comida, abrigo, lazer, educação são aspectos da vida social providos ou realizados pelo trabalho das pessoas. Os objetos relacionados com o mundo do trabalho, presentes nos museus do Ibram, dizem respeito às diferentes profissões existentes ao longo do tempo. O recorte aqui apresentado, mostra alguns desses objetos.

Os trabalhadores e seus ofícios

Para trabalhar em um ofício específico é necessário o desenvolvimento de um processo educacional, seja por meio do ensino formal ou do aprendizado prático. No Brasil, a formação de trabalhadores foi se consolidando conforme os diferentes momentos econômicos e políticos exigiam a presença de profissionais especializados nos diversos fazeres. Os acervos selecionados nesta página contam um pouco do surgimento, da transformação das profissões e das diferentes necessidades surgidas na sociedade que impuseram o desenvolvimento de artes e ofícios específicos. Esses acervos são, muitas vezes, parte da história de pessoas comuns, trabalhadores e trabalhadoras que desenvolveram sua prática profissional de forma anônima e autônoma, formando outros profissionais em suas oficinas e lojas, forjando práticas sociais e culturais que se perpetuam até a atualidade.

1901 itens

Esta curadoria conta com itens dos seguintes museus

Artes e ofícios

Na história das profissões e do trabalho existe a categoria dos ofícios, que diz respeito ao trabalho artesanal no período pré-industrial. De acordo com historiadores os ofícios podem ser separados em três grupos distintos. O primeiro grupo corresponde às corporações de ofício e as confrarias/irmandades, que institucionalizaram no Ocidente, para o ensino e a organização dos diferentes ofícios, entre os séculos X e XVIII. Entravam nessa categoria as corporações de marcenaria, alfaiataria, padaria, comércio, etc. O segundo grupo era próximo das corporações, mas controladas pelo Estado. Neles, os artesãos desenvolviam ofícios ligados ao funcionamento governamental, como cunhagem de moedas, armamentos, comércio internacional, etc. O terceiro grupo era dos artesãos autônomos que incluíam ofícios desprestigiados, além de diversos outros ofícios novos que rivalizavam com as corporações já instituídas.

Esse é o caso dos arquitetos, cujo saber rivaliza com os carpinteiros e pedreiros. Essa categoria também incluía os trabalhadores rurais. 

No Brasil, onde prevalecia o trabalho de pessoas escravizadas nas atividades econômicas mais importantes, como a agricultura de exportação e a mineração, o desenvolvimento das técnicas e o aprimoramento das atividades econômicas ficou inibido. Oficialmente, essa situação só foi alterada após a chegada da família real portuguesa, em 1808, com a liberação da instalação de manufaturas no Brasil. Mesmo assim, o preconceito contra os trabalhos manuais, que durante 300 anos foi associado aos escravos, prevaleceu, dificultando a formação de trabalhadores nesse tipo de atividade.

Cadeira do ourives

Os ofícios da construção

Com a descoberta do ouro em Minas Gerais, no final do século XVII, o ensino de artes e ofícios no Brasil conheceu um grande crescimento. Isso porque a circulação do outro promoveu um grande afluxo de pessoas para a região mineradora, resultando no crescimento das cidades e do comércio. Pedreiros, carpinteiros, ferreiros, pintores, escultores encontravam emprego na construção de igrejas e edifícios das novas cidades.

Manufatura e artesanato no Brasil

As coleções de indumentária estão Depois de conhecer uma expansão no período minerador, as manufaturas, comércio e artesanato, sofreram um duro golpe no seu desenvolvimento no Brasil. A promulgação do Alvará de 5 de janeiro de 1785 pelo governo português impunha o fechamento de todas as manufaturas. Entretanto, mesmo com a proibição, o crescimento da população gerou uma inevitável intensificação das atividades econômicas e os ofícios prosperaram. Apesar da economia continuar baseada na agricultura de exportação, lentamente o comércio e as atividades artesanais foram se desenvolvendo no Brasil.

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