Em sua história de vida, Carlos Sérgio fala da sua infância regada a muitas dificuldades, em que foi criado pela mãe, pois seu pai o abandonou para constituir família com outra indígena, e desde cedo adentrou nas jornadas de caçada que fazia junto com os primos, tios e avós, em busca de alimento para si, sua mãe e para auxiliar na criação dos seus irmãos. Conta também que retornou ao Maranhão através de uma cantoria que ocorrera na Aldeia Januária. Traz à tona memórias sobre a terra que mora, e diante dos seus olhos, viu as ferramentas indígenas para a caça e pesca sendo substituídas por armas de fogo e instrumentos criados por não indígenas, o que trata como esquecimento da cultura. Carlos relembra sua preparação para a vida adulta com outros jovens indígenas, a devastação pelo desmatamento, a chegada da energia elétrica em sua aldeia, as guerras interétnicas e a luta em defesa da terra, que fora atacada várias vezes por posseiros. Carlos Sérgio está diariamente na batalha pelos direitos indígenas, sendo membro do comitê de gestão indígena supervisionado pela FUNAI, o qual acompanha as demandas dos povos indígenas de sua terra e de outros parentes.
O Museu da Pessoa é um museu virtual e colaborativo de histórias de vida fundado em São Paulo, em 1991. Desde sua origem tem como objetivo registrar, preservar e transformar em informação histórias de vida de toda e qualquer pessoa da sociedade. No Museu da…