Acervo indígena de diversas regiões do Brasil (Museu Histórico Nacional |MHN, Brasil)
Soy loco por ti, América
Yo voy traer una mujer playera
Que su nombre sea Marti
Que su nombre sea Marti
Loco por ti de amores
Tenga como colores
La espuma blanca de Latinoamérica
Y el cielo como bandera
Y el cielo como bandera (…)
Trecho da música Soy loco por ti, América
(Composição: Jose Carlos Capinan e Gilberto Gil)
Conheça os países soberanos da América Latina e o Caribe
América do Sul
Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela. (Nota: Guiana e Suriname integram o bloco regional da ONU para a América Latina e Caribe, embora linguisticamente fiquem fora da definição tradicional de “América Latina”).
América Central
Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá e Belize. México.
Países Insulares do Caribe
Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Cuba, Domínica (Dominica), Granada, Haiti, Jamaica, República Dominicana, São Cristóvão e Neves, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, e Trinidade e Tobago.
A escrita hieroglífica nas Américas
Na Mesoamérica, representações da avançada escrita hieroglífica dos maias remontam há cerca de 300 anos a.C, de acordo com os achados arqueológicos no sítio de San Bartolo, na região da Guatemala. Sinais pictóricos eram marcados em estelas de pedra, cerâmicas e raros códices que sobreviveram ao tempo e à barbárie, sendo a genuína escrita usada até finais do século XVII. Apesar dessas evidências, o pioneirismo desta inovação cultural nas Américas se volta ao povo olmeca com a descoberta de inscrições no sítio arqueológico localizado em San Andres, no México, que remontam a 650 a.C.
Do período antecessor à chegada do explorador português Pedro Álvares Cabral ao Brasil em 1500, podem ser encontradas urnas funerárias originárias da cultura marajoara, povo que habitava a Ilha de Marajó entre 400 e 1400 d.C.
Acervo em museus do Brasil: Urna funerária da cultura marajoara do período pré-cabralino (Acervo do MHN, Brasil). Barra de ouro, Cruz da Ordem de Cristo estampada nas velas de caravelas portuguesas e Santana Mestra esculpida em madeira, tintas e
ouro do século XVIII são alguns registros da influência da Igreja Católica nas Américas (Acervo do Museu do Ouro, Brasil)
Terras, ouro e especiarias: o mote da colonização além-mar
Banhadas pelos Oceanos Atlântico e Pacífico, além do Mar do Caribe, essas regiões de exuberante fauna e flora se tornaram o principal caminho de entrada de colonizadores europeus nas costas caribenha e da América. Em 1492, as caravelas Santa Maria, Pinta e Niña, sob o comando do navegador Cristovão Colombo (1451-1506) aportariam nas Bahamas, após os tripulantes avistarem pela primeira vez a ilha de Guanahani, batizada de San Salvador. Posteriormente, ele seguiria rumo à conquista de Cuba e do Haiti.
No século XVI, se seguiu a fase de conquista do Império Inca pelos espanhóis, que tinha sua capital em Cusco, no Peru. O encontro do Imperador Atahualpa (1502-1533) com o conquistador Francisco Pizarro ocorreu em 1532, sendo alvo de uma emboscada que o levou a ser preso no Templo do Sol. Mesmo ao oferecer e entregar grande quantidade em ouro e prata a Pizarro, Atahualpa não foi poupado do enforcamento no ano seguinte, levando ao colapso Império Inca.
Machu Picchu, declarada como Patrimônio da Humanidade pela Unesco,
A Arte Colonial das Américas e a Escola Cusquenha
Antiga capital do Império Inca e conquistada pelos espanhóis no século XVI, a cidade de Cusco é reconhecida como o maior núcleo de produção de uma pintura sacra que representava a fusão de culturas no período da colonização espanhola.
No intuito de converter a população colonizada ao catolicismo, missionários europeus foram enviados ao longo dos séculos XVII e XVIII, para propagar a forma de fazer arte aos artesãos locais o que, posteriormente, geraria um dos movimentos artísticos mais significativos da América Latina: a Escola Cusquenha. Após abandonarem a prática de copiar modelos do barroco europeu, os artesãos locais passaram a integrar aspectos da sua cultura buscando a identificação com o povo andino. Neste cenário, afloravam nas pinturas elementos pré-colombianos incaicos que incluíram a cruz andina, a flora e a fauna locais, em especial o uso de feições andinas nos personagens representados assim como a ambientação com vegetação típica dos Andes.
Essas pinturas identificadas no mundo das artes como “cusquenhos” são genuínos registros do “Barroco Mestiço” que evidenciam releituras de cenas e personagens bíblicos produzidas por nativos ao longo do século XVII-XVIII. Alguns significativos exemplares podem ser encontrados na pinacoteca do Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro.
Pinturas religiosas da Escola Cusquenha, século 18, Peru (Acervo do Museu Histórico Nacional, Brasil)
Riquezas do solo latino-americano e caribenho
A exploração das riquezas a partir das descobertas das novas regiões além-mar transformou a América Latina e Caribe nos grandes fornecedores de matérias-primas e recursos naturais no sistema mercantilista europeu, com amplo uso da mão de obra escravizada.
Enquanto o ouro era inicialmente explorado em lavras fluviais do Caribe e Nova Espanha, a prata vinha das minas de Potosí (Bolívia) e de regiões mexicanas. Já no século XVIII, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso forneciam o ouro que escoado partindo de Paraty, em terras fluminenses. Ainda no Brasil, a abundância dos diamantes gerou uma exploração em larga escala na região da atual Diamantina.
Considerado como “ouro”, o açúcar era cultivado nas ilhas do Caribe e no Nordeste do Brasil. Já o tabaco, de extremo valor na Europa, se destacou a partir de Cuba, Venezuela e no Recôncavo Baiano, no Brasil. O cacau, o algodão e o café sustentavam o mercantilismo europeu, além de recursos nativos das regiões como o Pau-Brasil, o anil e a cochonilha (corantes), outras madeiras de lei (cedro e mogno) e o couro dos Pampas (Argentina, Uruguai e sul do Brasil). Simultaneamente, ocorria a extração de produtos da Amazônia como o cravo e a baunilha, entre outros.
Na litogravura, a mineração, lavagem e apuração do ouro no Pico do Itacolomi, em Ouro Preto (Acervo Museu do Ouro, MG, Brasil). Instrumento de percussão, forma de pão de açúcar, estatueta do Povo Karajá e cesta dos Kayapó (Acervo do MHN, Brasil)
Cronologia da Independência
Século XIX
Haiti
França
Paraguai
Espanha
Argentina
Espanha
Chile
Espanha
Venezuela e Colômbia
Espanha
México
Espanha
Equador
Espanha
Brasil
Portugal
Peru
Espanha
Bolívia
Espanha
Uruguai
Luso-Espanhola
Nicarágua, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e República Dominicana
Espanha
Cuba
Espanha e EUA
Século XX
Panamá
Espanha e Colômbia
Jamaica
Reino Unido
Guiana
Reino Unido
Trindade e Tobago, Barbados
Reino Unido
Bahamas
Reino Unido
Granada
Reino Unido
Suriname
Holanda
Dominica
Reino Unido
Santa Lúcia e São Vicente e Granadinas
Reino Unido
Belize, Antígua e Barbuda
Reino Unido
São Cristóvão e Nevis
Reino Unido
Era digital: o acervo online de museus no século XXI
O alavancar da Era Digital se deu em meados do século XX e na década de 1970 o computador já invadia as residências. Com a invenção da World Wide Web por Tim Berners-Lee, a internet se popularizou no mundo. No século XXI, com a evolução da tecnologia, o mundo dos museus também se modernizou e pode viabilizar o acesso on line aos acervos institucionais. No Brasil, o IBRAM oferece desde 2018, o acesso a suas coleções por meio do software livre Tainacan na Plataforma Brasiliana (https://brasiliana.museus.gov.br/sobre-a-brasiliana-museus/) com ênfase na interoperabilidade, em buscas integradas e curadorias temáticas como é o caso da presente Entrelaces Culturais que homenageia a América Latina e o Caribe.





































































